Daniela Vianna transformou uma dificuldade de reportagem em causa ambiental

Jornalista e doutora em Ciências Ambientais, Daniela Vianna atua na educação climática, na saúde planetária e na adaptação de municípios às mudanças do clima.

Colagem editorial surrealista em 3D com volume escultórico. Uma velha máquina de escrever esculpida em metal escovado tem, no lugar do papel, uma folha que se desdobra em uma paisagem de rios e árvores em miniatura feitas de papel kraft e linho; das teclas brotam pequenas gotas de água em vidro fosco. Ao lado, um caderno aberto vira um mapa de cidades com telhados recortados. Um olho estilizado (identidade visual da Marcas que se Importam) integrado sutilmente à composição, aplicado como uma das teclas da máquina. Fundo sólido rosa-coral com textura de gesso, iluminação lateral suave e sombras profundas. Paleta de cores da marca MQSI. Canto superior direito limpo para aplicação do logo. Sem textos, letras ou tipografia na imagem.

Tem gente que descobre sua causa por acaso. Daniela Vianna descobriu a dela em meio a uma cobertura jornalística no início da carreira. Ela atuava como repórter generalista, cobrindo cidades e polícia num grande jornal e foi cobrir a visita de vereadores a um poço de água contaminado perto de uma fábrica da Shell na Vila Carioca, em São Paulo. Moradores estavam adoecendo. “Eu vi que ali tinha uma coisa grande, mas eu não me sentia preparada para cobrir aquilo”, conta. “Meu faro foi certeiro”, lembra ela.

O despreparo virou provocação, e a provocação virou método. Daniela foi estudar — mestrado, depois doutorado — sobre a dificuldade dos jornalistas em cobrir questões ambientais, usando como estudo de caso justamente o tipo de contaminação que não tinha conseguido cobrir.

Um filho no meio da crise hídrica

Se a reportagem perdida acendeu a pergunta, foi a maternidade que a transformou em urgência. Daniela já tinha doutorado quando o filho nasceu, em 2014, bem no meio da crise hídrica que ameaçava deixar São Paulo sem água na torneira. “O nascimento dele, diante do risco de eu não ter água de qualidade para produzir leite e dar pro meu filho, me deu um senso de urgência tremendo”, diz. Hoje, essa causa “é o que me faz levantar todo dia”, confessa ela.

Foi esse mergulho que a levou, nos anos seguintes, a um pós-doutorado em comunicação climática nos Estados Unidos e, depois, a cinco anos de pós-doutorado na Rede Saúde Planetária Brasil, sediada no Instituto de Estudos Avançados da USP, onde ajudou a construir redes e fontes em torno de um conceito que, segundo ela, ainda era pouco reconhecido no Brasil. “Quando eu comecei, em 2020, as buscas por ‘saúde planetária’ na internet levavam a grupos holísticos, gente que ia pras montanhas. Hoje aparece o nosso trabalho.”

O trabalho de hoje

Atualmente Daniela atua em três frentes que, segundo ela, se conectam: o nexo entre clima e saúde, o nexo entre clima e educação — do qual a cartilha que ela coescreveu é resultado direto — e a consultoria a municípios brasileiros na elaboração de planos de adaptação climática e de resiliência urbana. Ela participou da revisão do guia técnico e da gravação de videoaulas do curso usado pelo Ministério do Meio Ambiente e pela GIZ na trilha de aprendizagem do Adapta Cidades, que hoje apoia centenas de municípios no país.

Reconexão como ponto de partida

Perguntada sobre como ela mesma cultiva o próprio equilíbrio diante de um tema que lida o tempo todo com risco e urgência, Daniela alerta: “a questão climática é uma questão de desconexão. A gente se desconectou de si mesmo, dos outros e da natureza da qual é parte”, diz.

Ela não trata isso como abstração. Para quem não tem como viajar até a floresta para “se reconectar com os povos originários” — imagem que, segundo ela, pode até afastar mais do que aproximar —, a sugestão é concreta: respirar fundo, parar por alguns minutos, olhar pra dentro, e depois olhar para o outro como um fim em si, não como mais uma tarefa. “Tenta chegar perto de uma árvore. Vai pro parque, bota o pé na terra. Não precisa ir pra Amazônia pra voltar a ser natureza. A gente é bicho.” Vale até uma planta em casa — ela mesma, que se descrevia como “matadora de plantas” até pouco tempo atrás, hoje cuida de um apartamento cheio de verde.

* Daniela Vianna é jornalista, doutora em Ciências Ambientais pelo PROCAM/USP, especialista em educação climática e saúde planetária e coautora da cartilha “Educação Climática: Guia Prático para Famílias e Educadores”.

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