Uma visão de mundo que convida organizações e lideranças a conciliar propósito e resultados, colocando a ética, as pessoas e a regeneração no centro das decisões.
O Movimento Marcas que se Importam nasceu da convicção de que empresas têm um papel decisivo na construção de uma sociedade mais justa, sustentável e próspera. Mais do que um manifesto, estes oito princípios representam uma visão de mundo e um convite à ação. Eles orientam nossas reflexões, pesquisas, conteúdos e iniciativas, ao mesmo tempo em que inspiram organizações e lideranças comprometidas em conciliar propósito com resultados e gerar valor para toda a sociedade.
1 – O mundo precisa de MARCAS que se IMPORTEM em conciliar propósito com lucro.
A policrise global tem contribuído, nos últimos anos, para uma revisão ampla da ideia de empresa, e da sua efetiva função no mundo, fortalecendo novos conceitos como o de capitalismo de stakeholders, capitalismo consciente, Corporação B e de Impacto Positivo. Cada vez mais, a sociedade espera que as empresas cumpram o seu papel principal – que é atender necessidades humanas – e sejam competentes em gerar valor e distribuir resultados para todas as partes interessadas, assumindo a responsabilidade de serem agentes de transformação em benefício do coletivo.
Marcas que se importam colocam propósito ao lado do lucro. E o fazem com práticas concretas, não só com mensagens bonitas.
Esse é o núcleo do que hoje se entende por propósito de marca aplicado à sustentabilidade corporativa.
2 – O mundo precisa de MARCAS que se IMPORTEM em tratar os humanos como humanos e não apenas recursos.
O principal ativo das empresas são as suas pessoas. Colaboradores são pais, mães, maridos, esposas, filhos e filhas. Integram famílias, comunidades, sociedades. E por isso têm direito a uma vida cujo valor não pode ser determinado apenas pelo trabalho. Os humanos são também diversos e singulares. Diversidade é um valor contemporâneo. Os humanos anseiam por viver bem, física, emocional e mentalmente saudáveis.
Cada vez mais os indivíduos se mostram interessados em investir, trabalhar e comprar de marcas cujos valores se afinam com os seus e que demonstrem cuidado individualizado, escuta afetiva, respeito às diferenças e preocupação genuína com o bem-estar e qualidade de vida dos colaboradores e comunidades.
Marcas que se importam são humanas, diversas, inclusivas, saudáveis e cuidadoras.
Um princípio central da liderança consciente e da agenda ESG voltada para pessoas.
3 – O mundo precisa de MARCAS que se IMPORTEM mais em cooperar do que competir na construção de respostas para os dilemas da sociedade.
A crise gerada pela disseminação do COVID e, mais recentemente, a crise geopolítica global decorrente de tensões sociais, políticas e econômicas, têm reforçado a importância do ODS 17, que tratam das parcerias entre diferentes atores da sociedade para uma forma de desenvolvimento mais sustentável.
A compreensão maior de nossa vulnerabilidade aumentou a empatia, a solidariedade e o senso de responsabilidade. Se foi possível a marcas concorrentes atuarem em cooperação durante a pandemia, precisa ser possível, também, fora das emergências, trabalharem em conjunto, de modo planejado e sistêmico, para enfrentar as mudanças climáticas e suprir déficits históricos de bem-estar social.
A atual magnitude dos nossos desafios sociais e ambientais, escalada pelo aumento da desigualdade e o avanço da insegurança climática, exige que as marcas atuem em sistema de cooperação com governos, empresas públicas, organizações da sociedade civil, organismos multilaterais e comunidades.
Marcas que se importam cooperam pela paz, pela justiça, pela democracia, pela segurança e pelo bem-estar coletivo.
Um reflexo direto do ODS 17 e da lógica de parcerias multissetoriais que hoje orienta a sustentabilidade corporativa.
4 – O mundo precisa de MARCAS que se IMPORTEM com a noção de interdependência.
As diferentes e sucessivas crises têm nos ensinado que tudo e todos estamos conectados. A prosperidade de uma empresa depende da prosperidade de todos os grupos impactados por ela, especialmente os mais vulneráveis. A garantia de segurança alimentar nos países pobres depende da redução de emissões de gases de efeito estufa nos países ricos. O futuro das crianças periféricas do Sul do mundo depende do acesso delas às tecnologias de informação e inteligência artificial criadas por um grupo reduzido de milionários do Norte do mundo. Impõe-se uma nova consciência segundo a qual nossas atitudes e escolhas individuais determinam coletivamente o mundo que queremos hoje e para as próximas gerações.
Marcas que se importam assumem os seus impactos e se comprometem publicamente em eliminá-los em nome de um mundo melhor.
Essa consciência de interdependência é também a base da economia regenerativa.
5 – O mundo precisa de MARCAS que se IMPORTEM com relações mais éticas, transparentes e duradouras
Verdade fortalece a confiança. Transparência fortalece a confiança. Em tempos de crise, nos quais colaboradores, fornecedores, parceiros de negócio e comunidades esperam por ética, cuidado e proteção, cresce a necessidade por informações precisas, posicionamentos firmes e valores claros. Valores que defendem e protegem a vida.
Empresas precisam ser o exemplo da mudança que querem ver no mundo.
Precisam praticar o walk the talk.
Não há mais espaço para fraudes em balanços. Para práticas de assédio moral e sexual, desrespeito a direitos humanos, trabalho em condições degradantes. Para o uso abusivo de recursos naturais. Para impacto desnecessário nos rios, ruas e atmosferas das cidades. Para o uso deliberadamente irresponsável dos solos. Para a destruição de florestas e ecossistemas fundamentais. Para descumprimento deliberado de leis que nos protegem. Para afronta à cultura dos povos ancestrais. Para produtos que prejudicam a vida. Para adiar medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas
Marcas que se importam são íntegras, francas, sinceras, autênticas, éticas e verdadeiras. Em tudo o que fazem e dizem.
Transparência e ética seguem entre os pilares mais exigidos pela agenda ESG global.
6 – O mundo precisa de MARCAS que se IMPORTEM não só em zerar impactos, mas regenerar.
Apenas eliminar impactos socioambientais negativos, já se sabe, não será suficiente para conter um processo acelerado de mudanças climáticas e esgotamento de recursos naturais. Desafia-nos a necessidade de investir em tecnologias, processos disruptivos de produção e novos modelos de negócio e produtos capazes de gerar impactos positivos para o meio ambiente e as comunidades afetadas pelos negócios.
Mais do que necessário, é urgente que as marcas compreendam o imperativo ético de colocar a inovação a serviço da sustentabilidade
Marcas que se importam geram impacto positivo para as pessoas, as sociedades e o planeta.
Essa é a essência da economia regenerativa aplicada aos negócios.
7 – O mundo precisa de MARCAS que se IMPORTEM em liderar sob a orientação de valores.
A crise global tem ressaltado a importância de um novo tipo de liderança, orientada por valores e preparada para fazer a transição de um modelo convencional de negócios para outro mais ético, transparente, justo, íntegro e respeitoso em relação à diversidade, às pessoas e ao meio ambiente.
Empresas, governos e organizações da sociedade civil precisam de líderes mais empáticos, cuidadores, atentos e ecocêntricos. Líderes capazes de sentir, pensar, relacionar-se consigo próprio e com os outros, colaborar e agir orientados por elevados valores humanos como respeito, empatia, honestidade, solidariedade, integridade, humildade, justiça, tolerância, liberdade e amor.
Marcas que se importam geram impacto positivo e formam líderes capazes de realizá-lo, consolidando o conceito de liderança consciente como prática de gestão.
8 – O mundo precisa de MARCAS que se IMPORTEM em ser solução para uma nova economia.
A crise abriu importantes janelas de oportunidade para acelerar a agenda de sustentabilidade, intensificar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e promover uma economia menos intensiva em uso de recursos humanos e naturais e em emissões de carbono. Bancos centrais, bancos e governos têm utilizado o seu poder de conceder empréstimos e isenções fiscais para estimular, como contrapartida, investimentos na adoção de energias renováveis, preservação da floresta em pé, economia circular, geração de trabalho e renda, regeneração de ambientes degradados, saúde, segurança e bem-estar de pessoas e comunidades.
Empresas, governos e universidades de todo o mundo têm atuado em colaboração, por exemplo, para estimular a inovação em economia circular, na gestão de recursos naturais escassos, na captura de carbono no solo, na distribuição e armazenamento de energias renováveis, na produção de veículos elétricos, no financiamento de preservação/conservação de florestas, na recuperação de pastos, matas, mangues e encostas de rios, na substituição de matérias-primas originárias de combustíveis fósseis por outras menos impactantes, e na pesquisa e desenvolvimento de alimentos plant based.
Negócios que vão determinar o futuro da economia, startups já nascem com produtos e serviços que oferecem soluções para os grandes dilemas éticos e desafios práticos da sustentabilidade.
Marcas que se importam trabalham a serviço de uma economia mais sustentável e melhor para todas as pessoas.
Um resumo direto do que hoje se entende por sustentabilidade corporativa em escala.





